segunda-feira, março 21, 2011

Hoje é dia da Poesia....mas não deveriam ser todos!

SOMOS TODOS POETAS


Porque não queres os versos que te nascem
Como rebentos pelo corpo acima?
Porque não queres a inesperada rima
Dos sentimentos?
Olha que a vida tem desses momentos
Que se articulam numa cadência
Tão imprevista,
Que é uma conquista
Da consciência
Não ser um túnel de negação...
Brotam as folhas que são precisas
E outras que o não são.

                       Miguel Torga, Cântico do Homem




SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

                         Florbela Espanca, Sonetos

NAMASTÉ......chegou a primavera


Namaste é uma das algumas palavras sânscritas comumente reconhecidas por aqueles que não falam hindi. No Ocidente, ela é usada para indicar a cultura sul-asiática em geral. "Namaste" é particularmente associada geralmente à aspectos da cultura sul-asiática como o vegetarianismo, a ioga, e o hinduísmo.


Recentemente, e mais globalmente, o termo namasté foi associado especialmente à ioga e à meditação. Neste contexto, ele foi visto em uma grande variedade de termos com significados complicados e poéticos que se ligam com as origens espirituais da palavra. Alguns exemplos:
"Curtir a vida intensamente"-popular na cultura induista
"Eu honro o Espírito em si que também está em mim." -- atribuída ao autor Deepak Chopra

"Eu honro o local em si em que o Universo inteiro reside, eu honro o lugar em si que é de Amor, de Integridade, de Sabedoria e de Paz. Quando você está neste lugar em si, e eu estou neste lugar em mim, nós somos um."

"Eu saúdo o Deus dentro de si."

"Seu espírito e meu espírito são um." -- atribuída à Lilias Folan, ensinamentos compartilhados da sua jornada à Índia.

"O divino em mim cumprimenta o divino em si."

"A Divinidade dentro de mim compreende e adora a Divinidade dentro de si."

"Tudo que é melhor é mais superior em mim cumprimenta/saúda tudo que é melhor e mais alto em si"

"O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em si."


Namasté para si

quarta-feira, março 09, 2011

PRESENÇA

Abre os olhos e vê.
Abre os ouvidos e escuta.
Abre a boca e fala.
Estende as mãos e agarra,
semeia,
colhe.
Caminha para a frente.
Viver é estar presente no mundo.
Não é só desfolhar
malmequeres metafísicos,
no isolamento magnífico
de umas sabedorias perversas.
É estar
presente no mundo e querer
participar
do destino comum.




armindo rodrigues

terça-feira, março 08, 2011

carnivalis vs bacanalis

A palavra carnaval deriva da expressão latina carne levare, que significa abstenção da carne. Este termo começou a circular por volta dos séculos XI e XII para designar a véspera da quarta-feira de cinzas, dia em que se inicia a exigência da abstenção de carne, ou jejum quaresmal.
Comumente os autores explicam este nome a partir dos termos do latim tardio carne vale, isto é, adeus carne, ou despedida da carne; esta derivação indicaria que no carnaval o consumo de carne era considerado lícito pela última vez antes dos dias do jejum quaresmal - outros recorrem à expressão carnem levare, suspender ou retirar a carne: o Papa São Gregório Magno teria dado ao último domingo antes da quaresma, ou seja, ao domingo da quinquagésima, o título de dominica ad carnes levandas; a expressão haveria sido sucessivamente abreviada para carnes levandas, carne levamen, carne levale, carneval ou carnaval – um terceiro grupo de etmologistas apela para as origens pagãs do carnaval: entre os gregos e romanos costumava-se exibir um préstito em forma de nave dedicada ao deus Dionísio ou Baco, préstito ao qual em latim se dava o nome de currus navalis: de onde vem a forma carnavale.


A ligação desta festa com o povo romano tornou-se tão sólida que a Igreja Romana preferiu, ao invés de suspendê-la, dar-lhe uma característica católica. Ao olharmos para países como Itália, Espanha e França, vemos fortes denominadores comuns do carnaval nas suas culturas. Estes países sofreram grandes influências romanas. O antigo Rei das Saturnais, o mestre da folia, é sempre morto no final das antigas festas pagãs.



Vale ressaltar que O festival Dionisíaco expõe no seu tema um grande contra-senso, descrito na The Grolier Multimedia. Enciclopédia, 1997: A adoração neste festival é chamada de Sparagmos, caracterizado por orgias, êxtase e fervor ou entusiasmo religioso. No entanto, o seu significado é descrito no mesmo parágrafo da seguinte forma: Deixar de lado a vida animal, a comida dessa carne e a bebida desse sangue.

Diamanda Galás - Faust. Eros. Tod



(LP, 1982 bootleg recording, released 1988.)

Diamanda Galas - Let My People Go

sábado, março 05, 2011

Mutilação Genital Feminina

stop circumcision of girls in Africa and Asia


Este é um dos assuntos sérios e bárbaros do mundo. É uma mutilação física, que ficará para sempre na alma das meninas, mas somente daquelas que sobrevivem a esta prática.


Veja mais sobre MGF num artigo do Público, escrito por Sofia Branco em:

a calunia


Escreve Emílio Costa*: «A quem nunca foi caluniado nem difamado, falta um elemento de muito valor para conhecer o mundo.»

Dizem que só se calunia e difama quem tem algum valor. Porque pode fazer sombra, porque a insegurança de quem calunia acusa a real ou suposta importância daquele que se torna alvo, etc., etc.


Eu, que sei já ter sido caluniado pelas costas, raramente peço explicações àqueles que não têm coragem de afirmar de caras o que insidiam às esconsas. Por algumas razões: em primeiro lugar porque não tenho grandes medos, nem de hipotéticos telhados de vidro -- lido bem com as minhas fraquezas. Não ter medo(s) é óptimo para ultrapassar as rasteirazinhas que nos vão fazendo. Depois, julgo ter um sentido crítico que relativiza o que não é importante e, principalmente, quem não é importante. Gasta-se boa parte do tempo a tropeçar em gente que não interessa, isto é: gente desinteressante. Por último, tenho cara de poucos amigos, quando quero. Há quem pense duas vezes antes de me aborrecer. Claro que preferiria que esse expediente estivesse ausente das relações humanas, menos por mim do que por aqueles que se degradam em praticá-lo.


* Filosofia Caseira, Lisboa, Seara nova, 1947, p. 157.
in: http://abencerragem.blogspot.com/2011/03/caderninho-da-calunia.html

terça-feira, março 01, 2011

Surma e Mursi


O guarda-roupa é a própria natureza, a savana. No sul da Etiópia, jovens Surma e Mursi transformam flores em chapéus, folhas em xailes. Com fantasias fantásticas, eles colocam cor no quotidiano cinzento dos povos pastoris. O fotógrafo Hans Silvester rendeu-se à sua magia.


Nas testas as mesmas flores, bem arrumadas ou rebeldes. Os rostos cobertos com padrões de pintura, como se fossem trabalhos de Matisse e Miró. As cores, aplicadas com os dedos, obtidos da mistura de pedra moída com argila.


Folhagens secas aproveitadas, e um novo enfeite de cabeça está pronto. Espectacular e ao mesmo tempo útil, porque serve como protecção contra o sol. O verde fresco do chapéu improvisado realça o perfil, das têmporas até ao pescoço. A "moda da natureza" dos Surma e dos Mursi presta-se, principalmente, à representação de um povo. Da extravagância até o minimalismo, ela conhece vários estilos.

Os meninos, enquanto não se tornam guerreiros, devem cuidar do gado. Isso  dá-lhes tempo de experimentar o seu talento como artistas do adereço. Alguns mudam os adornos várias vezes ao dia, como actores que trocam os trajes durante os actos. Tão espontaneamente quanto surgem, os frágeis adornos de cabeça, que se desintegram. São criações fugazes, efémeras, que um pé-de-vento desfaz - até que outras flores e folhas inspirem novos enfeites.


Aproximadamente 20 povos vivem no vale do Rio Omo, no sul da Etiópia. Pastores nómadas na sua maioria, que frequentemente se encontram em pé de guerra: por água, pastos, armas.

O grande tema do fotógrafo Hans Silvester (à direita, na foto em baixo ), hoje com 70 anos, é a arte corporal arcaica dos Surma e dos Mursi. Eles transformam a sua pele em tela: profundas cicatrizes e pinturas cheias de motivos abstractos constituem os adereços. Além do divertimento, ao se enfeitarem é um constante jogo de transformação, agora descoberto também pelos turistas. Para as tribos, isso significa uma bem-vinda fonte de rendimento ou sobrevivência.